Em um cenário de aquecimento global e queda de produtividade no campo, a automação desponta como caminho para tornar as operações mais precisas, conectadas e resilientes
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| Trator autônomo da Tereos — Foto: Divulgação/Arte Época Negócios |
A previsão de uma safra de 668,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar em 2025/26, 1,2% menor do que no período anterior, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), reforça os desafios enfrentados pelo setor sucroenergético diante do clima adverso, dos incêndios e da queda de produtividade.
É nesse ambiente de pressão que os tratores autônomos surgem como uma aposta para elevar a eficiência, cortar custos e tornar a operação no campo mais inteligente e resiliente.
No Brasil, esse avanço começou a sair do papel no ano passado, com os primeiros testes de robôs autônomos dos EUA em plantações de cana-de-açúcar em Paulínia e Olímpia, no interior de São Paulo, conduzidos pelo grupo agroindustrial Tereos e pela Atvos, empresa de bioenergia. A iniciativa busca adaptar ao campo brasileiro soluções já consolidadas no exterior.
Segundo José Carlos Monteiro Junior, gerente de tecnologia e topografia da Tereos, o diferencial da solução está no fato de que o sistema autônomo não é incorporado de forma fixa ao trator, mas sim acoplado às máquinas. Na prática, isso permite transformar diferentes equipamentos agrícolas em veículos autônomos.
Para "nacionalizar" a ferramenta, os profissionais da Tereos realizaram uma série de estudos para comparar o solo norte-americano — extremamente plano e rico em matéria orgânica — ao brasileiro, de relevo mais ondulado e que exige manejo mais intensivo. “Demos o primeiro passo para adaptar à realidade brasileira soluções autônomas já consolidadas no mundo”, afirma o engenheiro agrícola.
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| José Carlos Monteiro Junior, gerente de tecnologia e topografia da Tereos — Foto: Divulgação |
Os testes atenderam às expectativas. Submetidos a operações reais entre maio e dezembro do ano passado, os equipamentos registraram aumento de 20% na produtividade e redução de até 10% no consumo de diesel. Os estudos também indicaram menor desgaste das máquinas e mais precisão em processos agrícolas, como a preparação do solo, impulsionada pela automação das atividades.
Embora ainda não estejam em operação comercial no Brasil, os tratores autônomos deixaram de ser uma promessa distante e começam a ganhar forma concreta no campo. Segundo o gerente da Tereos, a expectativa é que os robôs autônomos comecem a operar no manejo do solo por volta de 2028.
Desafios da agricultura 4.0
Antes de começarem a operar, os sistemas precisam superar alguns entraves. No projeto da agricultura 4.0, o principal é a interoperabilidade entre os sistemas. Ou seja, fazer com que a ferramenta autônoma converse com o sistema do trator e com a torre de operações da Tereos, por exemplo.
“Fizemos um levantamento de todo o investimento em tecnologia necessário para implantar o projeto. Também será preciso capacitar nossos profissionais para atuar com os robôs autônomos. No lugar do motorista, teremos um operador responsável por controlar o veículo à distância”, explica Monteiro Junior.
Com a evolução da agricultura 4.0, Alexandre Maganhato, vice-presidente de tecnologia da Atvos, afirma que o operador deve evoluir para um supervisor de frotas autônomas, responsável pelo diagnóstico remoto e pela gestão de dados.
“A automação vai além do controle remoto: o objetivo é construir um ecossistema autônomo, com mais segurança e precisão, com a integração dos equipamentos agrícolas envolvidos, ampliando a precisão operacional, a previsibilidade e a capacidade de tomada de decisão.”
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| Alexandre Maganhato, vice-presidente de tecnologia da Atvos — Foto: Divulgação |
Por Patrícia Basilio
Fonte: Epoca Negócios / Globo.com




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